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Bem vindos ao novo espaço que vai falar um pouco sobre história, política, geografia, ciência, poesia , filmes e artes.........biografia de grandes escritores, cientistas, cineastas, pintores, pensadores e pessoas que de alguma forma influenciaram o mundo .......





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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Poemas


Vídeos em movimento
Cenas do cotidiano em slow motion
Quadros de várias faces
Imagens acinzentadas e rabiscadas em sépia
Curtametragens em foco

E aquele chiado do jazz no vinil
Marcas de vinho de uma noite sem memórias
E uma vontade enorme de sumir
Como diria Chet Baker

LET'S GET LOST

Paredes demais dividindo
Espaço de menos
Pouca coisa pra preencher a cabeça
Poeiras dançantes no canto da sala
é só o vento......

E a velha vontade de partir
Pra longe dos pensamentos
Os mesmos segredos novos
E a rotina malcriada e estampada no espelho
do banheiro a cada manhã

Vamos nos perder por aí.......
Passear através de outros olhares
Conhecer outros sorrisos
Suspender a monotonia por um dia
Declarar guerra aos quase perfeitos

E o trompete continua a me falar
De forma rouca e suave
Mas em alto e bom som

LET'S GET LOST

E minhas pernas ávidas
não conseguem resistir
E o asfalto me diz
Bem vindo meu rapaz
Se perca por aqui......

Poemas


Quase nunca estou com vontade de falar
mas acabo rindo de piadas infantis
Todos os dias
Acho que sou um palhaço
que ri da própria existência ridícula
e não sei porque alguns
se importam tanto

Talvez devesse ser menos cínico
talvez devesse ser mais ou menos
isso e aquilo
Mas seriedade na verdade
É um prostíbulo cheio de puritanos descarados

Eu não herdei o asco
ainda tento me livrar do visgo
quem é que vai pagar por isso?

Imagino que eu mesmo
não saiba nada sobre mim
mas me divirto com os conselhos alheios

E esse tédio acéfalo
E essa vertigem nua
e esse aneurisma caimbrótico
e esse túnel quadrado
e esses minúsculos passos
e esse estrondoso silêncio
E essa estaca estampada
aqui dentro.....não é nada
é apenas o vazio
rastejando nos passeios públicos.

Poemas


Vivemos preocupados com os veículos
e esquecemos das pernas
Vivemos preocupados com os óculos escuros
e esquecemos os olhos de qualquer cor

Vivemos preocupados com os sapatos
e esquecemos dos pés
Vivemos preocupados com os anéis
e esquecemos dos dedos

Vivemos preocupados com a cor dos dentes
e esquecemos o sorriso franco
Vivemos preocupados com o que enfeita a cabeça
e esquecemos de colocar algo dentro dela

Vivemos preocupados em falar demais
e esquecemos da função do ouvido
Vivemos preocupados em desenhar corações
e esquecemos de senti-los

O que realmente interessa?

vivemos preocupados com as roupas
e esquecemos da pele
vivemos preocupados com os relógios e horas
e esquecemos de olhar o tempo lá fora

vivemos preocupados em ter braços fortes
e esquecemos de abraçar
vivemos preocupados em assistir
e esquecemos de vivenciar

vivemos preocupados em criticar
e esquecemos de criar
vivemos preocupados em julgar
e esquecemos de conhecer

vivemos preocupados em ter bolsos
e esquecemos de ser
vivemos preocupados em ter casas
e esquecemos das mochilas
O lar está dentro e não fora

vivemos preocupados em contar dinheiro
e esquecemos de contar histórias
vivemos preocupados em poupar pro futuro
e esquecemos de gastar o presente

Até quando?
o que realmente interessa?

vivemos reclamando do trabalho e emprego
e esquecemos que a escolha é uma opção

vivemos submissos
vivemos anestesiados
vivemos sem arte
vivemos calados
vivemos enterrados

E esquecemos que estamos vivendo
quase mortos
de tanto nos preocupar
de tanto imitar
Esses quase vivos.

Até quando?

Poemas


Ao me deparar com os estilhaços envidraçados
que dobram as esquinas e os caminhos marcados
pelos pés estranhos e tortos a cada minuto
surge a indagação renitente

pra onde ir?

Vejo as rodas incansáveis que não param
de chegar e partir
e o barulho indecente dos motores
aumenta o circo dos palhaços
que não sabem fazer rir

Andando pelas ruas vejo
dignas televisões de cachorro
que diferentes de mim
sabem escolher melhor o que assistir

Corredores movimentados
e as árvores limpam a paisagem
com suas folhas impecáveis
que nos brindam ao cair

Pôr do sol saindo
e a natureza me invade
com toda sua fúria
e eu deixo seguir

Fins de tarde
noite despertando
e eu permaneço aqui

Recomeço meu trajeto
e como sempre me despeço

Mas agora já sei pra onde ir.

Poemas


Onde está?

Onde está o sangue que eu ainda tinha?
esta cara branca feita de pano de chão
nem vermelha pode ficar

A vergonha exposta
em telas de tinta
a óleo nu

As reminiscências do caos
vertem coloridas
e ficam a mostra diariamente
em mais uma vernissage pública

São lágrimas
de indiferença
são risadas
de sordidez

Não se meta
com a lógica
ela falha

É estúpido
é mórbido
é agonizante

Seja cívico
veja, olhe, leia
compre
rasgue... a sua carne
desfie e pinte mais quadros
com a estupidez
bandida
que nos lava
de lama

Enfie a cabeça
debaixo d'água
para ver se limpa
um pouco do
que sobrou da
inteligência

Cuspa esses
protótipos de
sutilezas
em mais vinte
segundos de
vexames

Palavras vulgares
que sejam.....

Mas não braveje
não resmungue
não reclame
não discuta
não faça nada

Essa alma
não tem mais sangue
desenhe um autorretrato
e publique

Estará em branco
invisível

Ninguém sabe quem é você

Como de costume.

Poemas


O que eu posso dizer
sobre o que eu posso escrever
sobre o que eu posso pensar
o que

?

A quem devo dar honras e méritos
a quem devo pedir desculpas
a quem devo chamar de amigo
a quem devo enviar flores

a quem

?

minhas pernas
caminham desesperadas
e confusas ao encontro
dos buracos da estrada

cheias de nada....

Tem alguém aí?

rabiscos e sobras
de um rascunho fantasma
a cabeça apenas roda....
apenas roda

diga.....vamos
diga mais uma vez
atrás das janelas
o infinito parece se desdobrar
e mais uma vez
é ela........a realidade espatifa
meu ossos

a estrada nunca acaba
nunca acaba

E essas grades
e essas grades?
preciso me livrar
dessas correntes

esqueça......
as nuvens parecem queimar
e ardem com nunca

qual nome devo gritar

?

Tem alguém aí?

Poemas


Como se nunca
pudéssemos
fingir belas caligrafias

Como se nunca
usássemos
belas palavras
ao acaso

Como se nunca
guardássemos
elegantes rancores
no tórax

Como se nunca
respirássemos
a poeira venenosa
das notícias matinais

Vem...
bem vindo ao clube

Como se nunca
bebêssemos
a última garrafa
da noite anterior

Como se nunca
tragássemos
os cigarros
molhados
pelo álcool

Como se nunca
saíssemos
com as carteiras
vazias

Como se nunca
disséssemos
eu te amo

Como se nunca
tocássemos
a ferida aberta

Como se nunca
fôssemos egoístas

Vem...
bem vindo ao clube

Como se nunca
soubéssemos da
mentira dita

Como se nunca
andássemos de
pés descalços

Como?
nunca?

Como se nunca
respondêssemos
com ironia

O relógio
ainda tem pilha
liberte-se

Ainda falta muito
para o fim
mas falta pouco
para as seis.